Regulamentação do mercado de carbono deve ser decidida na COP 25

09/09/19

​​​​​​Apesar dos esforços para conter o aquecimento global, muitas ações ainda precisam ser adotadas para estimular os países a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), cujo aumento da concentração causa o problema da mudança climática. Umas das formas de frear estas emissões nocivas e incentivar uma economia de baixo carbono e o uso de energia limpa é a criação de mecanismos de mercado que auxiliem na redução das emissões de GEE.


 

A precificação do carbono é uma das medidas adotadas na tentativa de combater as mudanças climáticas e vem sendo amplamente discutida no meio empresarial. Apesar de ainda não existir um sistema global de precificação de carbono, a cobrança vem sendo praticada por diversos países. O movimento, que começou em 2005 com poucos países envolvidos, ganhou força após o Acordo de Paris, em 2015, e já é realidade em ao menos 45 países.

Precificar o carbono é atribuir um valor para as emissões de gases de efeito estufa por parte das empresas, tanto para o dióxido de carbono (CO2) quanto para os outros tipos de GEE, e tem o objetivo de incentivar investimentos em tecnologia de baixo carbono e mais eficientes.

Segundo especialistas, para atingir este objetivo é necessária uma regulamentação concisa e de âmbito internacional em torno do mercado de carbono, conforme está previsto no artigo 6 do Acordo de Paris. Na prática, o artigo 6 permite aos países negociar suas emissões entre si. O Acordo de Paris já prevê a adoção de regras globais sobre este assunto e reafirma o compromisso dos países na adoção de medidas de combate às mudanças climáticas.

A expectativa é que o tema seja debatido em dezembro na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 25), que ocorre em Santiago, no Chile. O evento, que reunirá representantes de diversos países, é um importante fórum para se discutir sobre as responsabilidades de cada nação no combate ao aquecimento global causado pelas ações humanas.

A Neoenergia​, junto com outros integrantes do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), apoia o aprofundamento destas discussões em torno da regulamentação do Artigo 6. 


 

“Fato é que as regras do Acordo de Paris precisam ser claras e justas independentemente das especificidades, pois estabelecer um mercado de carbono global vai além da sua precificação e do custo efetivo para todos os países, é uma das mais importantes alavancas para a condução da sociedade na direção de uma economia mais limpa seguindo princípios como integridade ambiental, redução global efetiva, transparência, qualidade dos resultados de mitigação e governança rigorosa". O trecho está no artigo “Proposta sobre os créditos de carbono pode mudar a história", escrito em conjunto pela presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Marina Grossi; pelo CEO da Shell, André Araújo; pelo CEO da Siemens, André Clark, e pela diretora-presidente adjunta da Neoenergia, Solange Ribeiro.

 

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