
Evolução dos carros elétricos: avanços, mercado e futuro da mobilidade
Embora sejam tendência nos dias de hoje, os carros elétricos têm mais de 200 anos de história. Com avanços nas baterias, expansão da infraestrutura de recarga e incentivos governamentais, a mobilidade elétrica evoluiu e está revolucionando o setor de transportes, contribuindo cada vez mais para um futuro sustentável.
Como surgiu o carro elétrico?
Muito antes dos motores a combustão dominarem as ruas, os carros elétricos já eram uma realidade. A história começou no século XIX, quando o engenheiro húngaro Ányos Jedlik criou o primeiro motor elétrico. Ao mesmo tempo, o ferreiro Thomas Davenport testava sua própria versão de um motor elétrico, fazendo um pequeno veículo se mover sobre uma pista circular eletrificada.
Mas foi o escocês Robert Anderson quem realmente trouxe essa ideia para os automóveis. Entre 1832 e 1839, ele apresentou um protótipo movido a células elétricas, um conceito que parecia promissor, mas ainda enfrentava grandes desafios – sendo o maior deles a bateria.
As primeiras versões não eram recarregáveis, o que tornava o uso diário praticamente inviável. Isso começou a mudar em 1859, quando o cientista francês Gaston Planté criou a primeira bateria de chumbo-ácido recarregável. A partir disso, os veículos passaram a armazenar energia e rodar sem depender de uma conexão direta à rede elétrica.
Em 1881, Camille Faure aprimorou as baterias, aumentando sua capacidade de recarga. No mesmo ano, Gustave Trouvé surpreendeu o público na Exposição Internacional de Eletricidade em Paris ao apresentar um triciclo elétrico funcional. Em 1888, na Alemanha, o empresário Andreas Flocken lançou o Flocken Elektrowagen, considerado o primeiro carro elétrico da história.
A substituição dos carros elétricos por veículos a combustão
No início do século XX, os carros elétricos dominaram as ruas dos Estados Unidos. Em Nova York, os táxis elétricos eram comuns, e estima-se que, em 1900, um terço dos veículos em circulação no país funcionava sem precisar de gasolina. Algumas fontes indicam que, entre 1899 e 1900, os elétricos chegaram a superar os modelos a combustão.
Silenciosos, os automóveis movidos à energia elétrica não soltavam fumaça nem odores desagradáveis e tinham autonomia suficiente para o dia a dia. Não à toa, tornaram-se os favoritos da elite, que buscava conforto e praticidade.
Em 1912, os carros elétricos atingiram seu auge, mas logo depois perderam espaço para os veículos a combustão, que se tornaram rapidamente os favoritos.
Motivos que popularizaram os carros a combustão:
- Arranque automático: o maior problema dos carros a combustão era a partida manual, que exigia força para girar uma manivela. Isso mudou quando surgiu o acionamento automático, tornando esses veículos muito mais fáceis de dirigir;
- Produção em massa: em 1908, Henry Ford revolucionou o setor ao lançar o Ford T, fabricado em linha de montagem. Com isso, um carro a gasolina passou a custar muito menos que um elétrico.
- Petróleo acessível: a descoberta de grandes reservas de petróleo barateou a gasolina e facilitou sua distribuição, tornando o combustível a opção mais viável.
Além disso, a infraestrutura elétrica ainda era precária, dificultando a recarga das baterias. Com isso, ao final da Primeira Guerra Mundial, os motores a combustão se consolidaram como a escolha principal para atender às novas demandas de mobilidade.
A volta dos carros elétricos
Durante a Segunda Guerra Mundial, quando o combustível se tornou escasso, os carros elétricos voltaram a despertar interesse. Mas foi só nas crises do petróleo dos anos 1970 que começaram a ganhar força novamente. Com o preço do barril disparando e a preocupação crescente com a dependência energética, os fabricantes voltaram a apostar nesse mercado.
Modelos como o britânico Enfield 8000 e o americano Citicar foram lançados para deslocamentos urbanos, mas ainda tinham autonomia limitada e baterias pouco eficientes.
O verdadeiro retorno veio em 1996, com o EV-1 da General Motors (GM). Com baterias de chumbo-ácido e depois de níquel-hidreto metálico, o modelo chegava a percorrer até 225 km com uma única carga. No entanto, a GM encerrou sua produção em 1999, alegando altos custos e falta de viabilidade comercial.
Após mais de 10 anos, em 2008, a Tesla fez o lançamento do Roadster, um veículo equipado com baterias de íons de lítio, que oferecia uma autonomia superior a 300 km, um patamar inédito para um carro elétrico. Esse avanço tecnológico não só tornou os elétricos mais práticos, como também incentivou outras montadoras a investir em alternativas sustentáveis.
Os principais avanços do mercado de mobilidade elétrica
A mobilidade elétrica evoluiu rapidamente nos últimos anos – impulsionada por avanços tecnológicos, investimentos em infraestrutura e uma mudança global em direção a soluções mais sustentáveis – e três fatores foram essenciais para isso:
Baterias mais eficientes
Se no passado a limitação da autonomia era um grande obstáculo, hoje as baterias de íons de lítio permitem que os veículos elétricos rodem centenas de quilômetros com uma única carga.
Expansão da infraestrutura de recarga
Com a popularização dos carros elétricos, cresce também a rede de carregamento. Postos de recarga se tornaram mais acessíveis em rodovias e centros urbanos, reduzindo a preocupação com a autonomia.
Incentivos e regulamentações
Governos ao redor do mundo têm adotado medidas para acelerar a eletrificação da frota. Incentivos fiscais, subsídios para a compra de veículos elétricos e restrições aos motores a combustão impulsionam a transição.
O mercado de carros elétricos no Brasil
Em 1965, o inventor Maurício Lorencini fez história ao criar o primeiro carro elétrico fabricado em solo brasileiro. Em sua oficina, na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, ele desenvolveu um protótipo que foi rapidamente chamado de "carro do futuro", mas o modelo nunca ultrapassou a fase experimental.
No entanto, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, em 1981, levou a ideia para as ruas. O engenheiro produziu em série o Itaipu E-400, o primeiro carro elétrico de fato fabricado no Brasil, com eficiência e custo acessível. Ainda assim, o mercado não estava preparado para a inovação e a adesão foi baixa.
Acompanhando a tendência global, o cenário mudou, e o Brasil já conta com um crescimento expressivo no segmento de veículos elétricos e híbridos. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a venda de veículos elétricos no país registrou um aumento de 89% em 2024, com 177.358 carros emplacados de janeiro a dezembro.
3 principais tipos de veículos eletrificados encontrados no Brasil:
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100% elétricos (BEV - Battery Electric Vehicle): movidos exclusivamente por eletricidade, sem motor a combustão.
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Híbridos plug-in (PHEV - Plug-in Hybrid Electric Vehicle): combinam um motor elétrico recarregável na tomada com um motor a combustão, garantindo autonomia extra.
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Híbridos convencionais (HEV - Hybrid Electric Vehicle): utilizam um motor elétrico para auxiliar o motor a combustão, melhorando a eficiência energética, sem recarga externa.
Mesmo com um crescimento acelerado, os veículos eletrificados ainda representam uma parcela pequena do mercado automotivo brasileiro. No entanto, a expectativa é que essa participação aumente com a queda dos preços, a ampliação da infraestrutura de recarga e os incentivos para tecnologias mais sustentáveis.
Benefícios dos carros elétricos
A transição para veículos elétricos traz uma série de vantagens para motoristas e para o meio ambiente. Entre os principais benefícios estão:
Menos impacto ambiental
Sem emissão de gases poluentes durante o uso, os elétricos ajudam a reduzir a poluição do ar e a pegada de carbono do setor de transportes.
Menor custo por quilômetro rodado
A eletricidade costuma ser mais barata que os combustíveis fósseis, o que reduz o gasto diário com deslocamentos.
Manutenção simplificada
Sem motor a combustão, os elétricos têm menos peças móveis, o que diminui a necessidade de reparos frequentes e os custos com manutenção.
Maior eficiência energética
Enquanto um carro a combustão desperdiça boa parte da energia gerada pelo combustível em calor, os motores elétricos aproveitam melhor a eletricidade, tornando o consumo mais eficiente.
Experiência de direção mais confortável
O funcionamento silencioso e a aceleração suave tornam a condução dos elétricos mais agradável, sem os ruídos e vibrações dos motores a combustão.
Neoenergia e a mobilidade elétrica
Grandes avanços do setor aconteceram graças ao investimento de empresas comprometidas com um futuro mais sustentável, como a Neoenergia e a Iberdrola. Através do Programa de Mobilidade Elétrica da Neoenergia (PDI), a empresa desenvolve soluções inovadoras para incentivar o uso de veículos elétricos:
O projeto Corredor Verde, desenvolvido dentro do PDI da Neoenergia, criou a maior eletrovia do Norte-Nordeste, com cerca de 1.200 km de extensão e 17 estações de recarga rápida. Essa rota conecta seis capitais – Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa e Natal – beneficiando 70 municípios e impactando diretamente a vida de mais de 37 milhões de pessoas.
O Trilha Verde incentiva o uso de veículos elétricos em Fernando de Noronha, reduzindo o impacto ambiental do transporte e integrando essa solução à geração de energia solar. A iniciativa é fruto de uma parceria com o CPqD, o Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Criado em parceria com o Instituto LACTEC, BYD Brasil e Grupo PLE, o projeto criou o primeiro veículo elétrico para serviços de redes com um sistema embarcado que permite o carregamento direto na rede elétrica. Isso significa mais autonomia e eficiência, sem a necessidade de retorno às bases operacionais para reabastecimento.
Com esses projetos, a Neoenergia reafirma seu compromisso com a mobilidade sustentável, tornando a eletrificação dos transportes mais acessível e eficiente no Brasil. A empresa investe em inovação e infraestrutura para ampliar o uso de veículos elétricos, com foco na descarbonização da economia e na construção de um futuro mais sustentável.
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