De pai pra filho

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Além de herdar do pai o sobrenome “Ferreira de Melo” registrado em cartório, Cicero, 55 anos, herdou também o ofício que lhe conferiu um novo sobrenome: Celpe​. Há 26 anos trabalhando como eletricista da distribuidora, a influência para a escolha da profissão veio de família, que parece ter a eletricidade em seu DNA: o pai e o tio aposentaram-se como eletricistas da distribuidora pernambucana. A profissão o levou a morar em Pesqueira, Bom Conselho, Itaíba e Águas Belas, onde permanece até hoje. “Conheci muita gente por onde andei. Quando ainda era um eletricista por localidade para todas as operações do município, o ‘Cícero da Celpe’ era muito requisitado nos quatro cantos da cidade. E assim eu ia conhecendo gente nos sítios mais distantes, com ‘jeito’ para abordar cliente e quebrar o mau humor com que às vezes somos recebidos”, comenta.




O eletricista é um exemplo de comprometimento no trabalho. Quando chegam os dias de folga, o roteiro já está traçado: o ‘Sítio Precisão’. “Coloquei esse nome porque lá precisa de tudo um pouco, menos de pedra, que temos muito”, explica, em meio às gargalhadas. O pedacinho de terra de Cícero é refúgio cheio de curiosidades, como as peças usadas na decoração coletadas por ele do lixo, que poderiam valer muito como artigos de colecionador. Lá, ele escuta de Led Zeppeling, The Purple e Scorpions a Chico Buarque e Gilberto Gil; lê revistas deitado na rede e reúne os amigos para momentos de comemoração. “Eu frequentava o sítio da minha avó para buscar leite para os irmãos quando criança. Quando venho pra o sítio, essas lembranças voltam à minha memória”, relembra.

Cícero é sempre bem humorado, se destaca entre os colegas de trabalho por ser um profissional bastante carismático. Mas nem tudo foi fácil em sua vida pessoal: pai de três filhos, em 1992 ele teve que enfrentar a dura e trágica perda de sua filha, Elis Gabriele, que tinha apenas três anos. “Numa cidade pequena como Itaíba, havia uma intriga entre duas famílias com muito ‘acerto de contas’. Quando estávamos eu, minha mulher e minha filha comemorando o domingo de carnaval em um clube, um bandido que queria matar um inimigo entrou no local atirando. Infelizmente, minha filha foi atingida”, conta.

A dor da perda nunca foi completamente extinta, mas a superação foi alcançada com a certeza de que a amargura do sentimento de vingança não é o caminho. “Muita gente só se lembra de Deus e da polícia na hora do sufoco. Eu já tinha fé em Deus, essa fé aumentou e deu forças a mim e à minha família, além de contarmos com o tempo, melhor remédio para curar a dor. Pensar em vingança ou insistir em culpar as circunstâncias não vai trazer ela de volta e pode complicar ainda mais.”, conclui.


*Cícero é pai de Wagner Adonis, 27 anos, Ítalo Fagner, 25 anos, e Maria Luana, 19 anos, e é marido de Maria Elivani há 29 anos.

**Crédito das fotos: Léo Caldas​





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