Raios no céu a noite e antena de transmissão em um campo.

Fenômenos meteorológicos e os impactos no setor elétrico

31/03/26

Os fenômenos meteorológicos são eventos naturais que ocorrem na atmosfera e têm impactos diretos no setor elétrico, afetando a geração, a transmissão, a distribuição e até mesmo o consumo de energia em residências, locais públicos e comerciais.

Essas ocorrências podem causar interrupções no fornecimento, danos caros à infraestrutura e desafios operacionais significativos, especialmente em tempos de consequências derivadas das mudanças climáticas no mundo.

Entenda aqui como o setor elétrico pode se preparar para eventos climáticos extremos.

 

Sol laranja, uma espessa camada de fumaça no céu e sombra de prédios 
 

O que são os fenômenos meteorológicos

Provenientes de eventos associados ao clima e ao tempo que ocorrem na atmosfera, os fenômenos meteorológicos podem ter origem natural ou acontecer em decorrência da ação do ser humano. Na maioria das vezes, conseguem ser monitorados por equipamentos e analisados por um meteorologista – profissional que estuda os fenômenos atmosféricos e divulga previsões do tempo ao público, com base em dados coletados por satélites e modelos computacionais.

Apesar de serem muitos, os fenômenos climáticos de maior destaque são: ondas de calor ou de frio, ciclones, secas, chuvas torrenciais e tempestades de gelo.

 

Como os fenômenos meteorológicos podem impactar o setor elétrico

Segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema), em 2025 os eventos climáticos extremos foram os responsáveis por uma parcela significativa dos desligamentos no sistema elétrico brasileiro, chegando a quase 40% em algumas épocas.

 

Confira como alguns fenômenos podem impactar diretamente o setor elétrico:

 ​​​​Tempestades severas: podem ocasionar em queda de linhas de transmissão e postes, curto-circuitos por descargas elétricas e interrupções de longa duração;

Ventos extremos (furacões, tempestades e ciclones): são capazes de danificar estruturas físicas da rede elétrica e estimular falhas em larga escala;

Enchentes e chuvas intensas: podem inundar subestações, danificar transformadores, comprometer a estabilidade da rede elétrica e interromper o acesso físico às instalações, além de causar corrosão e curto-circuitos, acelerando a deterioração de equipamentos;

Ondas de calor: períodos prolongados de temperatura acima do normal podem aumentar o consumo de energia (elevada demanda por ar-condicionado) e provocar o aquecimento de transformadores e cabos, reduzindo a eficiência e podendo causar falhas;

Secas prolongadas: períodos com chuva significativamente abaixo da média afetam principalmente usinas hidrelétricas – uma das principais fontes de energia em muitos países, como o Brasil;

Tempestades de gelo: em regiões frias, camadas de gelo acumuladas podem quebrar postes e linhas de transmissão;

Tempestades geomagnéticas: mesmo com chances menores de ocorrer, as erupções solares podem induzir correntes elétricas na rede, sobrecarregando grandes transformadores e podendo causar apagões de larga escala se não houver mitigação adequada.

 

Quais foram os fenômenos meteorológicos mais importantes dos últimos anos

Cada vez mais frequentes devido às mudanças climáticas, os fenômenos meteorológicos têm marcado a história do Brasil e do mundo com acontecimentos que impactam a vida de milhões de pessoas. Alguns exemplos são:

 

El Niño

Um dos eventos El Niño mais fortes registrados foi entre 2023 e 2024 e alterou padrões de chuva e temperatura globalmente, provocando secas, enchentes, ondas de calor e incêndios florestais em várias regiões do planeta.

Como consequência, regiões enfrentaram seca severa, prejudicando a agricultura e a geração hidrelétrica, e chuvas extremas causaram inundações em diferentes países.

 

Ondas de calor extremas globalmente

Vários países registraram temperaturas recordes, com ondas de calor intensificadas pelo aquecimento global nos últimos tempos. O ano de 2024 foi considerado um dos mais quentes já registrados e eventos de calor extremo continuaram em 2025. Já em 2026, a Austrália registrou temperaturas acima de 40 °C e alto risco de incêndios florestais.

 

 
Curiosidade: O aquecimento dos oceanos está atingindo níveis recordes, o que amplifica ondas de calor extremo e tempestades laterais.

 

 

Tempestades severas e ciclones intensos

Tempestades de vento, ciclones e furacões continuam a causar grandes danos em todo o mundo. Em julho de 2021, caiu em um só dia o mesmo que em um ano inteiro de precipitações em Zhengzhou, na China. Em 2023, em São Paulo, ventos e chuvas intensas deixaram milhões de pessoas sem energia elétrica e dezenas de mortos. Em 2025, o Furacão Melissa, no Atlântico, causou ventos e chuva intensos no Caribe e em partes dos Estados Unidos.

 

Enchentes e chuvas intensas

Chuvas fortes têm causado enchentes e deslizamentos com impactos significativos. Em 2024, no Brasil, o Estado do Rio Grande do Sul sofreu uma das piores inundações da história do país. Diversos eventos de chuvas volumosas, em pouco espaço de tempo, afetou milhões de pessoas e infraestrutura básica na capital e em regiões próximas. Na Europa, a tempestade Boris trouxe chuvas extremas e enchentes em muitas regiões.

 

Incêndios florestais

Focos de incêndios em locais com florestas estão cada vez mais frequentes no mundo inteiro. Uma das regiões mais frias do mundo, a Sibéria experimentou em 2021 o verão mais seco dos últimos 150 anos desde então; como consequência, ocorreu um mega incêndio que consumiu mais de 1 milhão e meio de hectares na Rússia.

Na Coreia do Sul, em 2025, incêndios florestais devastadores queimaram dezenas de milhares de hectares e exigiram esforços massivos de combate. Eventos semelhantes ocorreram na Califórnia (EUA) e na Austrália nos últimos anos, impulsionados por secas e ondas de calor.

 

Fenômenos meteorológicos e o fornecimento de energia elétrica: como as empresas devem estar preparadas

Os fenômenos climáticos, em sua maioria ventos intensos, impactam principalmente as linhas de transmissão de energia, fazendo com que ocorra incêndios, descarga elétrica, e erosões, causando assim, o desligamento da energia e grandes perdas para as empresas e a sociedade.

Um relatório recente aponta que eventos climáticos extremos, como inundações, incêndios e tempestades, foram responsáveis por quase metade dos apagões e interrupções no setor elétrico dos Estados Unidos em 2025, com prejuízo econômico global estimado em mais de US$ 131 bilhões.

Nesse cenário, o setor de energia elétrica precisa estar ainda mais preparado e atento às mudanças climáticas, com redes mais inteligentes e resilientes, capazes de resistir às variações do clima e manter o fornecimento estável, mesmo em períodos extremos.

 

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