Libras: Saiba tudo sobre a Língua Brasileira de Sinais
18/12/25
Libras é um idioma reconhecido por lei desde 2002 e representa um dos maiores avanços na inclusão de pessoas surdas no Brasil. Mais do que um conjunto de gestos, é uma língua completa, com gramática e estrutura próprias, que garante o direito à comunicação e à participação plena na sociedade.
O que é Libras?
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o principal meio de comunicação das pessoas surdas no país. Assim como o português, possui gramática, vocabulário e expressões que se desenvolvem a partir de regras linguísticas específicas.
Em Libras, a comunicação ocorre por meio de sinais formados com as mãos, acompanhados de expressões faciais, movimentos corporais e pontos de articulação. Todos esses elementos são fundamentais para transmitir sentido e emoção. Cada sinal corresponde a um conceito, não a uma palavra isolada, e a combinação deles forma frases completas, com estrutura própria.
Curiosidades sobre a Libras e suas variações
Por ser uma língua viva, Libras também apresenta variações regionais e sociais, assim como acontece com o português falado no Brasil. Um mesmo sinal pode ter pequenas diferenças de forma ou movimento dependendo da região, da faixa etária ou até do grupo ao qual o falante pertence.
Essas variações surgem naturalmente à medida que as comunidades surdas se desenvolvem em diferentes contextos culturais e geográficos. Em muitos casos, os sinais refletem expressões típicas de cada estado ou cidade, incorporando traços da cultura local e criando uma identidade linguística própria.
Também há gírias e novos sinais que acompanham transformações da sociedade, especialmente entre os mais jovens, demonstrando a capacidade de adaptação da língua e mostrando que ela é um idioma em constante evolução, moldado pelas experiências, pelos hábitos e pela criatividade das pessoas que o utilizam.
A origem da Língua Brasileira de Sinais
A história da Libras começou no período do Império e está ligada à criação da primeira escola para surdos do Brasil. Em 1855, o imperador Dom Pedro II convidou o professor francês Ernest Huet, que era surdo desde os 12 anos, para vir ao país e ensinar crianças e jovens deficientes auditivos.
Dois anos depois, em 1857, foi fundado o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, no Rio de Janeiro, que hoje se chama Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). A criação da escola foi oficializada em 1857 e marcou o início da educação de surdos no Brasil.
Huet foi o primeiro diretor do instituto e trouxe o modelo de ensino usado na Língua de Sinais Francesa (LSF). Ele misturou esses sinais aos gestos que já eram usados por pessoas surdas brasileiras, o que acabou dando origem a uma nova forma de comunicação, a base da Língua Brasileira de Sinais.
O uso da Libras foi desvalorizado por muito tempo. Em 1880, o Congresso de Milão, na Itália, decidiu que os surdos deveriam ser ensinados apenas pela fala, sem o uso de sinais. Essa ideia se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, onde a Libras ficou proibida nas escolas por décadas.
A mudança começou a acontecer nos anos 1970, quando especialistas passaram a defender a comunicação total, ou seja, o uso da fala, da leitura labial e da língua de sinais juntos. Mais tarde, esse modelo evoluiu para o bilinguismo, que reconhece a importância de ensinar tanto a Libras quanto o português.
Com a Constituição de 1988, o direito à educação para todos foi reforçado, e a comunidade surda passou a conquistar mais espaço. Em 2002, a Lei nº 10.436 reconheceu oficialmente a Libras como um idioma brasileiro.
Três anos depois, o Decreto nº 5.626/2005 detalhou essa lei e determinou que a Libras deveria ser ensinada em cursos de formação de professores e usada em escolas, universidades e serviços públicos com o apoio de intérpretes.
Inclusão com Libras
A Libras tem um papel importante na construção de uma sociedade mais acessível. É por meio dela que pessoas surdas conseguem se comunicar, estudar, trabalhar e participar de diferentes espaços com mais autonomia.
Quando está presente em escolas, empresas e serviços públicos, a Libras ajuda a tornar a comunicação mais justa e aproxima pessoas que, de outro modo, poderiam ficar isoladas. Por isso, cada vez mais instituições têm buscado incentivar o aprendizado e o uso da língua de sinais no dia a dia.
Na Neoenergia, por exemplo, todos os colaboradores têm acesso a um curso de Libras, além de participarem de eventos e ações voltadas à conscientização sobre a inclusão de pessoas com deficiência.
Mas a inclusão só acontece de verdade quando governo, sociedade e empresas caminham juntos. Criar políticas públicas, investir em capacitação e valorizar atitudes simples, como aprender os principais sinais ou garantir intérpretes em eventos, são formas de abrir espaço para todos.
Alfabeto em Libras e principais sinais
O alfabeto manual da Libras é formado por sinais feitos com uma das mãos e representa cada letra do alfabeto português. Ele é usado, principalmente, para soletrar nomes próprios, lugares, siglas e palavras que ainda não têm um sinal específico.
Cada letra tem um formato de mão diferente e a combinação desses sinais permite formar qualquer palavra. É o ponto de partida para quem está começando a aprender Libras, já que ajuda a entender a lógica da língua e a treinar a coordenação dos movimentos.
O alfabeto na Língua Brasileira de Sinais também é uma forma prática de se comunicar quando não se sabe o sinal de uma palavra. Mesmo quem não domina a linguagem pode usar o alfabeto para se fazer entender em situações simples.
Como aprender Libras
Aprender a Língua Brasileira de Sinais é mais simples do que parece e qualquer pessoa pode começar. Hoje existem muitas formas de aprender, desde cursos formais até atividades simples do dia a dia:
1. Cursos
Os cursos são o ponto de partida para quem quer aprender com orientação adequada. Eles estão disponíveis em universidades, instituições públicas, escolas especializadas e também em plataformas online gratuitas.
2. Livros
Livros ajudam a reforçar o que foi aprendido nas aulas e a ampliar o vocabulário. Há opções que apresentam o alfabeto manual, os sinais mais comuns e até explicações sobre gramática e cultura surda.
3. Praticar atividades em Libras
A prática é o que torna o aprendizado mais natural. Assistir a vídeos, filmes e séries com interpretação em Libras, acompanhar páginas e criadores surdos nas redes sociais e tentar usar os sinais em situações cotidianas são formas simples de manter o contato com a língua.
Quanto mais a Libras faz parte do dia a dia, mais fácil se torna se comunicar e cada novo sinal aprendido representa um passo importante rumo à inclusão e ao respeito à diversidade.