Missão cumprida​​​​

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​Era dezembro de 2005 quando José Silva Tomaz embarcou para Porto Príncipe capital do Haiti para uma viagem que mudaria a sua vida. Enviado pela missão de paz da ONU através do exército brasileiro, ele estava disposto a se entregar de corpo e alma àquela experiência. E ela era para poucos.

​​Nascido e criado no sítio Molambos em Currais novos, interior do Rio Grande do Norte, Tomaz, teve uma infância feliz, mas também de muito esforço. Acordava cedo e caminhava seis quilômetros com os irmãos todos os dias para ir à escola, trabalhava nas plantações da família e enxergou no exército uma maneira de sair da casa do pais,  melhorar a vida deles e aprender uma profissão.  E assim aconteceu: se alistou aos 17 e durante seis anos permaneceu como soldado. Foi quando em 2004 se voluntariou para a missão do Haiti sendo chamado para participar da primeira companhia de engenharia de força de paz. Passou por seis meses de treinamento intenso em Natal e chegou a perder oito quilos tamanho o esforço. De 516 soldados, José Tomaz passou em quarto lugar. “Lá treinamos para todo o tipo de situação, passamos por testes criteriosos para participar e muitos desistem. O exercito prepara perfeitamente, mas também te exige muito” diz.​

O embarque aconteceu em junho de 2005. Representando o Brasil, Tomaz fazia de tudo na capital haitiana: desde carregar lixo nas favelas até fazer escolta de autoridades “Andávamos em camburões e as temperaturas lá dentro chegavam a 52 graus, atuávamos como policiais nas ruas, a poluição na cidade era enorme. Uma das coisas que mais me tocou lá foi a pobreza do lugar, vi crianças carregando armas, passando fome”, diz. Os soldados dormiam em pequenos containers com seis beliches. Fora a tensão do momento, eles ainda precisavam estar 24 horas por dia de colete a prova de balas e armados, até na hora do descanso.  O convívio era intenso e as diferenças de cultura muito grandes. “Precisávamos nos adaptar e nos entender para não deixar nossos dias mais difíceis do que já eram. Posso ficar um ano descrevendo o que vi lá e não vai chegar nem perto do que eu senti”, diz.

E a distância? Era um dos maiores sofrimentos “No dia que esse menino foi embora eu chorei o dia inteiro aqui nessa janela. Não sabia se ele voltava, foi o pior dia da minha vida”, diz Seu Antonio, pai do eletricista, apontando para o local da casa onde estava naquele dia. Os pais de Tomaz ainda moram no sítio Molambos.   Durante esses longos seis meses que mais pareceram anos para a família, a comunicação era difícil. “Só tínhamos sete minutos por semana para conversar por telefone, às vezes não dava tempo de falar tudo. A saudade era muito grande, diz Fátima, esposa de Tomaz, emocionada. Como havia uma diferença de fuso horário, os pais de Tomaz passaram todo esse tempo sem ouvir a voz do filho “Quem passava as notícias pra mim era Fátima. Foi difícil, viu”?, completa a mãe, dona Cota.

Da estada em Porto Principe ele trouxe ensinamentos que vão guiar sua vida pra sempre. “Essa experiência me marcou demais. Aprendi que o que a gente precisa saber é lidar com as diferenças e ter sempre humildade. Lá tive oportunidade de conviver com soldados de Filipinas, Guatemala, Nepal e todas as pessoas, todas mesmo, por mais que não pareça, sempre têm algo para ensinar para você. E essas lições eu vou ensinar para os meus filhos”. 

*Tomaz é filho de Seu Antonio e Dona Cota, marido de Fátima e pai de Thompson e Antony (que ainda está na barriga da mãe).​










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