​​​​Ao mestre com carinho​

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Jorge Henrique Oliveira.


58 anos de idade completados no último dia 10 de outubro. 


34 anos de Coelba. Todos eles como eletricista de manutenção de subestação.


Natural de Senhor do Bonfim, cidade do centro norte da Bahia, distante 375 km da capital, Salvador.​

Capital onde ele, com muitos jovens do interior do estado, foi tentar a vida. Queria servir ao Exército. Virou pra mãe, Dona Eunice, e disse: ”Mãe, arruma minha roupa, que eu vou embora”. Ela chorou, mas arrumou. Como sempre fez, como sempre esteve ao lado dele. “Muitas vezes, eu chegava do ‘mundo’ tarde, ela já cansada de todo um dia na lida, ia esquentar a comida e botar um prato pra mim”.  Por conta desse carinho e cuidado, já homem feito, casado, com filhos, rodando pelo norte da Bahia, nunca deixava de ir vê-la: “Se eu fosse num único dia dez vezes em Senhor do Bonfim, dez vezes eu ia ver a minha mãe”, lembra emocionado.


Mas Salvador não foi fácil. No Exército não conseguiu entrar por excesso de contingente. Como sempre gostou muito de mecânica, de conhecer o funcionamento das máquinas, de montar e desmontar equipamentos, buscou emprego numa concessionária de veículos, onde trabalhou por um tempo. Tentou uma vaga no Aeroporto, queria estudar e trabalhar com mecânica de aviões, mas não deu. Botou o que tinha dentro e em cima de um fusquinha, inclusive a “cama de campanha” que possuía, e voltou para Senhor do Bonfim.

É porque seu destino, sua história, ia ser traçada e vivida no interior mesmo. E na Coelba. No retorno à cidade natal, ficou sabendo que a distribuidora de energia ia fazer um concurso para vários cargos (quando pública, o acesso à empresa era através de concursos). Fez e passou. Isso aos 25 anos. Desde então trabalha com manutenção de subestação. Inicialmente, em Senhor do Bonfim mesmo, onde ficou por dois anos. Depois, Juazeiro, onde está até hoje, cidade a 507 km da capital, incrustada no semiárido, à beira do São Francisco. A cidade das carrancas, situada na margem direita do Velho Chico, de cultura sertaneja forte, nascida à sombra protetora da árvore considerada a mãe do sertão, o juazeiro.​



E foi debaixo de um sol causticante, que lhe deu à pele um tom constantemente acobreado, e suportando temperaturas quase desérticas, que Jorge construiu sua história de vida, sua história na Coelba. Casou, descasou, teve filhos (duas meninas e um me​nino, já adultos, que vivem e trabalham em Bonfim). Pela sua experiência, pelo conhecimento adquirido ao longo dos anos, por conhecer uma subestação como a palma da mão, Jorge é uma referência na Coelba e, especialmente, na Regional de Juazeiro. 


Eletricistas jovens o cercam em busca de informações, de dicas, de atalhos, de soluções. Conhecido afetuosamente como “Jorge Careca”, virou um paizão cercado de carinho pelos “filhos” que adquiriu na Coelba. “Eu ensino sempre que posso e estou sempre alertando quanto à segurança”, afirma o veterano eletricista. 


Inventivo, Jorge, que trabalha com compressor, pintura, caminhão munck, também é conhecido pelas soluções e melhorias que desenvolve no dia a dia na oficina da manutenção. Como um tipo de “viveiro” para proteger banco capacitor e adaptação de chaves de 69 kV de isoladores de louça para silicone. Inventividade que atravessa o seu lazer: mexer em carros dos anos 70, andar e consertar bicicleta. Assim ele tem hoje dois Corcel, dois Gurgel, uma Parati e cinco bicicletas que, nas horas que não está trabalhando, passa o dia a “futucar”. 
































Jorge, um apaixonado por manutenção, pelo trabalho, pela empresa: “Gosto muito da Coelba, do que faço, de trabalhar. Essa é a força que me move: fazer e fazer bem feito, com qualidade, de fazer o melhor”. 



Ainda bem, para Jorge, para a Coelba, para os jovens eletricistas da manutenção, que o Exército estava, naquele início dos anos 70, com excesso de contingente. 































*Crédito das fotos: Robson Lima Oliveira​

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