Hidrelétrica é decisiva para regular fluxo das Cataratas

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Em tempos idos, o Rio Iguaçu corria livre de corredeiras e cataratas. Agora, o funcionamento da Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu é quem regula a vazão que alimenta as quedas d’água, garantindo espetáculo permanente, a salvo de estiagens e temporadas de seca, aos visitantes (1,8 milhão em 2018) das Cataratas. 


Escolhido em 2011 como uma das sete maravilhas naturais do mundo, o conjunto de 275 cachoeiras radicais (incluídas as do lado argentino da fronteira) sofria no período estiagem, de abril a setembro. No fim de julho de 2006, foi dramático: a vazão, historicamente de 1,5 mil metros cúbicos por segundo naquela época do ano, caiu a 245m³/seg, transformando as quedas caudalosas em filetes d’água. O conta-gotas gigante foi consequência da seca que se abateu sobre o Paraná, a pior em 70 anos, obrigando 45 cidades a decretar estado de emergência. 


Agora, esse risco diminuiu, graças ao cumprimento, pelo Consórcio Baixo Iguaçu, de uma exigência da Agência Nacional de Águas, na autorização de uso dos recursos hídricos pela hidrelétrica. Ricardo Ivo Fortes, engenheiro de planejamento do consórcio, traduz a linguagem técnica. Última de uma sequência de seis usinas, a UHE Baixo Iguaçu poderia comprometer a beleza das Cataratas, no período de estiagem. Daí, a preocupação em regular o fluxo das águas, garantindo o espetáculo deslumbrante. 


“Dos 31 quilômetros quadrados do nosso reservatório, aproximadamente 18 são o próprio rio, originalmente”, contabiliza Fortes. “Cuidamos de garantir uma vazão mínima de 350m³/seg, com um aumento de 150 m³/seg em relação a usina exatamente acima de Baixo Iguaçu,  garantindo assim as condições vigentes”. Assim, o empreendimento materializa nova contribuição ao ambiente no qual está inserido, mantendo e até melhorando as condições para visitação às Cataratas.​

Órgãos reguladores reconhecem benefício às Cataratas

Um par de notas técnicas, do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), reconheceu a contribuição de uma obra de infraestrutura à criação da Natureza. O documento do órgão gestor da energia detalha, no item 4 (“Operação em situações de estiagens severas”), a instabilidade e suas consequências às Cataratas. 



Antes de Baixo Iguaçu, as usinas com os maiores reservatórios, Foz do Areia (ou Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, no nome oficial) e Salto Santiago, tinham de ajustar a operação para preservar condições mínimas de armazenamento d’água. O parecer do ONS sugere que, embora pequeno, o volume útil de Baixo Iguaçu somaria 150m³/seg à vazão média, garantindo o mínimo necessário às quedas d’água famosas. 


Assinado pela analista ambiental Fernanda Franco Bueno Bucci (e com a chancela do então presidente, Roberto Ricardo Vizentin), o parecer do ICMBio aponta os “efeitos de variação diária de vazão, que alteram excessivamente o nível do Rio Iguaçu ao longo do dia”. Os analistas do órgão de defesa do meio ambiente, assim, reconhecem os possíveis benefícios às Cataratas.​


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 



A atenção ao equilíbrio das Cataratas do Iguaçu obedece aos itens 6 (“Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e o saneamento para todos”) e 13 (“Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos”)  dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.​


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