Com os crescentes casos de feminicídios e violência dos mais variados tipos contra as mulheres, a Neoenergia entende que as empresas têm um papel fundamental de acolhimento e informação para seus colaboradores. Em parceria com especialistas e com áreas estratégicas da empresa, a companhia realiza uma série de ações internas e externas, a fim de apoiar qualquer vítima de violência em seus públicos no dia a dia, sejam elas colaboradoras, clientes etc.

Para entender um pouco mais sobre esse trabalho, veja a entrevista com a representante de Diversidade e Inclusão da Neoenergia, Vivian Romanelli, e o geógrafo, professor, pesquisador e especialista em masculinidade, Caio Cesar, convidado para apoiar com sua visão aprofundada no assunto.

A Neoenergia atua para conscientizar mulheres das possibilidades de violência? Como é feito esse trabalho sensível entre as colaboradoras? 

Sim, atuamos. Aqui na Neoenergia entendemos que violência contra a mulher é um tema que exige informação, acolhimento e prevenção. Por isso, internamente, promovemos ações de conscientização voltadas às colaboradoras, com conteúdo e campanhas em diferentes mídias. Além dos canais internos, também produzimos podcasts e realizamos um trabalho grande de educação. Também fazemos um trabalho diretamente com os homens: promovemos palestras e rodas de conversa exclusivas a esse público.

De que forma a companhia acolhe as vítimas de violência? 

Desde 2023 temos o Programa de Acolhimento a Colaboradoras Vítimas de Violência Doméstica. Caso a colaboradora precise de ajuda para sair de uma situação difícil, a Neoenergia oferece apoio financeiro, psicológico, flexibilizações de mobilidade, além de outras ajudas quando necessário. E todo esse acolhimento é feito com confidencialidade e muito respeito.  

Quais são as ações de prevenção para esses casos?

Nossas ações de prevenção passam, principalmente, pela educação e pela construção de uma cultura baseada no respeito e inclusão. Esse trabalho é feito desde 2020. Posso destacar as campanhas anuais de conscientização sobre violência de gênero, palestras e rodas de conversa para homens e mulheres sobre o tema, além da divulgação de canais de apoio, nosso programa de acolhimento e parcerias com instituições especializadas no enfrentamento da violência contra a mulher. 

Como a empresa enxerga o papel dela nesse contexto social de aumento da violência doméstica e feminicídio que estamos vivendo? De que forma é possível apoiar e até que ponto a empresa consegue chegar?

A Neoenergia acredita que o enfrentamento da violência contra a mulher é uma responsabilidade de todas as pessoas e isso envolve a sociedade, a empresa, os colaboradores e governos. Como empresa, temos o dever de promover informação, acolhimento e condições para que as mulheres encontrem apoio.

Embora a empresa não substitua os órgãos de segurança pública ou o sistema de justiça, acreditamos que somos um lugar de acolhimento também e que podemos criar ambientes seguros, oferecer suporte às colaboradoras, incentivar a denúncia e ampliar o acesso à informação sobre os serviços de proteção. 

Existe algum trabalho nesse sentido voltado para clientes também? Como é feito?

Sim. Divulgamos canais de denúncias nas nossas faturas de energia e em canais digitais. Além disso, uma parte dos nossos eletricistas foi treinada para reconhecer sinais de violência doméstica e apoiar as clientes para uma eventual denúncia: seja de emergência (190) ou específico para violência doméstica, a central de atendimento à mulher (180).

Como é feito o seu trabalho na prevenção e conscientização em relação à violência contra mulheres?

Há alguns anos venho trabalhando questões de gênero com homens de diversas formas. Acredito que a principal delas está no processo de conscientização através de rodas de conversa, formações, oficinas, produção de conteúdo, entre outros formatos que traga a nós homens a responsabilidade de agirmos, de maneira individual e coletiva, em relação aos violências de gênero. Tenho realizado a facilitação de grupos reflexivos para homens da sociedade civil e de organizações corporativas que querem encontrar caminhos pra continuar exercendo sua masculinidade sem produzir violência sobre outros corpos.

Qual a importância de ser um homem falando sobre o tema?

Eu entendo que a principal importância é pelo fato de que somos nós enquanto homens os protagonistas dessas violências. É um entendimento simples, mas importante, de que se somos parte do problema, também podemos e devemos ser parte da solução, criando caminhos pra uma sociedade mais igualitária.

De que forma você costuma ser recebido pelo público masculino? Existe uma abertura logo no início ou acontece aos poucos?

De uma maneira geral eu percebo que os homens querem falar sobre essas questões, eles apenas ainda não haviam encontrado um espaço pra isso. Mas uma vez que se constrói um espaço aberto, de responsabilização e confiança, eles tendem a se abrir, a trazer suas questões, então tudo fica um pouco mais fácil, as possibilidades de mudança ficam mais claras na cabeça deles.

Na sua opinião, como as empresas podem apoiar nessa luta contra violência? Como você enxerga o papel de cada um para tentar mudar o cenário atual?

O papel das empresas é fundamental, porque o mercado de trabalho tem o poder pra ditar mudanças culturais, uma vez que boa parte da nossa vida e das nossas relações estão nesses espaços. É importante que se crie canais institucionais de denúncia e acolhimento, mas é ainda mais significativo que se cria uma educação corporativa voltada para o respeito e o cuidado com esse e outros temas.

Nesse sentido, todo mundo tem o seu papel. Primeiro por uma busca de mudar a si próprio, de olhar pras suas atitudes e pra maneira como se relaciona com as pessoas. E por outro lado, o papel de transformar isso numa mudança coletiva, seja suporte pra outras pessoas no mesmo processo.

Conheça os tipos de violência contra mulher

Física - É toda violência que agride fisicamente a mulher, como tapas, chutes, puxões de cabelo, beliscões, apertar o braço, jogar objetos na vítima, entre outros.

Moral - Injúria, calúnia e difamação.

Sexual - Expressões verbais ou corporais que não são do agrado da pessoa, toques e carinhos não desejados.

Patrimonial - Destruição, venda ou furto de objetos pertencentes à vítima, de instrumentos de trabalho, de documentos da vítima e\ou dos seus filhos, venda, aluguel ou doação do imóvel pertencente à vítima ou ao casal, sem a autorização.

Psicológica - Humilhações, xingamentos, ameaças de agressões, impedimento de trabalho ou estudo, danos ou ameaças a pessoas próximas a vítima, impedimento de contato com a família e amigos, entre outros.