13/08/2020

Os desafios de montar uma torre de transmissão de energia dentro de um rio

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Já se perguntou como a energia elétrica sai de usinas hidrelétricas, parques eólicos e outros lugares para chegar até as grandes cidades? Uma parte importante desse longo caminho dentro do sistema elétrico é a transmissão. Nele, a energia é levada em alta tensão por cabos sustentados por torres, aquelas que costumamos ver pela estrada quando viajamos, por exemplo. E, quando o trajeto cruza um rio de grande extensão, é necessário executar uma complexa obra para montá-la dentro da água. Foi o que a Neoenergia fez no Mato Grosso do Sul, onde construiu uma linha que corta o Rio Paraná. Para isso, precisou içar uma torre de mais de 80 metros de altura, que pesa 65 toneladas.

A montagem foi iniciada em junho e levou aproximadamente um mês, enquanto para uma torre no solo, esse trabalho dura cerca de uma semana. Isso porque, dentro da água, é necessário erguer parte por parte da estrutura. “Montamos a torre por etapas. É um desafio muito grande erguer uma estrutura metálica de 80 metros com os ventos fortes de uma região aberta como é o caso do rio. Mas conseguimos garantir a segurança da equipe e concluir as obras com o uso de balsas, guindaste, guinchos e outros equipamentos”, afirma Gilberto Srmukznc, gerente de Implantação de Projetos de Transmissão da Neoenergia.

MONTAGEM DA TORRE

Para a montagem da torre no rio, ao contrário do que acontece quando ela fica no solo e é erguida em grandes partes pré-montadas, foi necessário o içamento aos poucos das pequenas partes da estrutura metálica. “Tudo foi feito em embarcações, desde o transporte das equipes, que ficaram hospedadas a cerca de dois quilômetros da margem do rio, até as partes da torre”, afirma Evandro Luiz Santos, engenheiro da Neoenergia que atua em campo na construção da linha de transmissão. A distância de uma margem até a outra do Rio Paraná é de cerca de 2,5 quilômetros e a torre fica no meio, a aproximadamente 1,6 quilômetro de uma das margens. Trabalhavam na montagem da torre cerca de 40 pessoas, levadas de barco, diariamente, até as balsas.


Nas obras, foram usadas duas balsas de 30 metros de comprimento e nove metros de largura, que ficavam ancoradas, além de um rebocador. Antes da etapa de montagem das torres, foram feitas as fundações em uma técnica chamada de estaca raiz. Executada por meio de uma perfuração rotativa até atingir o leito rochoso, o espaço é revestido totalmente por camisas metálicas onde é injetada a argamassa e aço armado. A etapa de construção dessas fundações teve duração de quatro meses.

A estrutura metálica da torre, que pesa 65 toneladas, foi montada em seguida. “Para erguer as peças maiores, que ficam na parte de baixo, um guindaste foi usado até uma altura de 50 metros. A partir daí, guinchos acoplados em tratores ancorados nas balsas, em um sistema de polias e roldanas levaram as partes menores até o topo”, diz Augusto Gonçalves, engenheiro da Neoenergia, responsável em campo pela obra. Por último, veio o lançamento dos cabos que conduzem a energia, o que levou cerca de duas semanas, pela complexidade maior envolvida na travessia sobre a água.

LINHA DE TRANSMISSÃO

Ao todo, a linha de transmissão da Neoenergia tem 327 torres, incluindo a que foi montada dentro do Rio Paraná, com 147 quilômetros de extensão, ela vai de Rosana, em São Paulo, até Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul. A torre que fica dentro do rio mede praticamente o dobro das demais no mesmo trecho, que têm uma média de 40 metros de altura. O tamanho da estrutura é definido pelos engenheiros do projeto de acordo com questões como a distância entre elas e o peso dos cabos. Também no Mato Grosso do Sul, a empresa ainda montará uma segunda torre completamente dentro do rio.

A construção de linhas de transmissão está no cerne do desenvolvimento do sistema elétrico no Brasil. É a expansão do sistema que dá mais segurança e confiabilidade ao fornecimento de energia em várias regiões. Além disso, garante a ligação entre os consumidores e os novos sistemas de geração de diversas fontes, como parques eólicos e usinas hidrelétricas em implantação.

Esse empreendimento da Neoenergia, no Mato Grosso do Sul, faz parte do lote 4 do leilão 005/2016, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em abril de 2017 para viabilizar novos projetos para a área. As linhas somam 611 quilômetros de extensão, transmitindo energia em 230 kV de tensão.








 

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