Flyways Brasil é uma iniciativa da SAVE Brasil, com apoio do Instituto Neoenergia, dedicada à conservação de aves limícolas migratórias e de seus habitats na bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. O projeto integra ciência aplicada, saberes tradicionais e participação comunitária para promover a regeneração ambiental e fortalecer a resiliência dos territórios costeiros frente às mudanças climáticas, contribuindo para a conservação das rotas migratórias em escala hemisférica. 
Conhecida como Costa Branca, a região reúne ecossistemas de elevada relevância ecológica, como manguezais, lamaçais, dunas, praias arenosas, restingas e áreas de transição com a caatinga. Esses ambientes sustentam uma rica biodiversidade e cumprem papel estratégico como áreas de descanso e alimentação para aves migratórias oriundas do Hemisfério Norte. As aves limícolas, reconhecidas por suas patas longas e finas e pela alimentação baseada em pequenos invertebrados presentes na areia e na lama, são indicadores sensíveis da saúde dos ecossistemas costeiros e do equilíbrio entre natureza e uso humano do território. 

O monitoramento é conduzido por especialistas em pássaros e biólogos por meio de censos sistemáticos nos municípios de Galinhos, Guamaré e Macau. A metodologia contempla os três principais habitats utilizados pelas aves limícolas, manguezais, lamaçais e praias arenosas, com o acompanhamento de 20 quadrantes de um quilômetro cada. Esse esforço permite compreender padrões de chegada e saída das espécies, uso do habitat e respostas a distúrbios antrópicos e às mudanças climáticas, gerando evidências fundamentais para a conservação da biodiversidade e o aprimoramento de políticas públicas ambientais. 

Entre as espécies acompanhadas, quatro aves limícolas encontram-se ameaçadas de extinção: o maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), o maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus) e a batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia).  O projeto também dedica atenção ao maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), cuja redução populacional reforça a urgência de ações contínuas de proteção e manejo, desenvolvidas pelo Flyways Brasil. 

Mais do que um esforço científico, o Flyways Brasil é um processo social, educativo e territorial. A iniciativa promove ações de conscientização socioambiental em escolas e comunidades locais, envolvendo crianças, jovens, educadores e populações tradicionais, com destaque para pescadores artesanais e marisqueiras, guardiãs de conhecimentos fundamentais sobre os ciclos do mangue, das marés e da biodiversidade costeira. Oficinas, palestras, circuitos temáticos, observação de aves e práticas de ciência cidadã aproximam diferentes públicos do conhecimento científico, ao mesmo tempo em que valorizam a sabedoria ancestral e os modos de vida associados ao território. 

Como parte desse processo, o projeto desenvolve ações de cartografia social e ancestral, integrando o olhar técnico ao conhecimento tradicional das comunidades. Esses mapas coletivos fortalecem a leitura compartilhada do território, identificam áreas sensíveis para a biodiversidade, usos tradicionais e pontos de pressão ambiental, e contribuem para estratégias mais justas e eficazes de conservação e adaptação climática. 

O Flyways Brasil mantém canais permanentes de diálogo, ao mesmo tempo, com comunidades tradicionais, autoridades públicas, colônias de pescadores e associações de marisqueiras, reconhecendo que a conservação das aves migratórias está diretamente conectada à proteção dos ecossistemas, da cultura local e das condições de vida das pessoas. Nesse contexto, o projeto inicia em 2026 um piloto de plantio de mangue, desenvolvido em parceria com a comunidade local e com universidades, como estratégia de restauração ecológica, fortalecimento da resiliência costeira e geração de aprendizado coletivo sobre regeneração ambiental liderada pelas pessoas do território. 

 

Reconhecimento internacional  

O trabalho desenvolvido pelo Flyways Brasil comprovou cientificamente a relevância da Bacia Potiguar para os fluxos migratórios de aves limícolas, resultando no reconhecimento internacional da região como Sítio da Rede Hemisférica de Reservas para Aves Limícolas (WHSRN).  Esse título consolida a Costa Branca como um santuário ecológico de extrema relevância para a sobrevivência das aves migratórias, integrando-a a uma rede global presente em 20 países e fortalecendo a adoção de políticas públicas de conservação no Brasil. 

Educação Ambiental e cultura de cuidado 

Como parte das estratégias de sensibilização, o Instituto Neoenergia e a SAVE Brasil desenvolveram um livro infantil sobre as aves limícolas, com linguagem acessível e conteúdo educativo voltado às crianças. A iniciativa contribui para aproximar as novas gerações da natureza e fortalecer uma cultura de cuidado, pertencimento e responsabilidade ambiental. 

 

Conheça a força do que acontece quando natureza e pessoas caminham juntas: 

 

Pequenos gestos, grandes transformações 

• 23 ações realizadas, entre workshops, treinamentos e ações voluntárias 

• 24 publicações, alcançando 136.669 contas nas redes sociais 

 

Cuidando do que nos sustenta 

• 8.500 hectares protegidos, o equivalente ao tamanho de 11 mil campos de futebol 

• Cada hectare preservado representa um compromisso com a vida e com as próximas gerações 

 

Contamos para proteger 

• 18 espécies de aves limícolas monitoradas 

• 6.056 aves acompanhadas, fortalecendo o conhecimento sobre as rotas migratórias 

 

Conexão com os territórios 

• 902 beneficiários diretos, entre crianças, jovens e comunidades tradicionais, incluindo pescadores artesanais e marisqueiras 

• Processos de cartografia social e ancestral como base para decisões compartilhadas de conservação