Observatório das Baixadas
O Observatório das Baixadas (OBx) é uma iniciativa estratégica de enfrentamento às mudanças climáticas em territórios historicamente vulnerabilizados, desenvolvida pela COP das Baixadas em parceria com o Perifa Connection e apoio do Instituto Neoenergia. O projeto nasce do reconhecimento de que não se constrói conhecimento sobre as periferias sem escutar quem vive nelas, e de que a justiça climática exige soluções ancoradas nos territórios, nas pessoas e sem seus saberes. “Nada sobre nós, sem nós”
O OBx atua na promoção de práticas de adaptação climática, mitigação de riscos e fortalecimento da resiliência comunitária em áreas de baixada. Esses territórios, localizados ao nível do mar ou às margens de rios e corpos d’água, estão entre os mais expostos a eventos climáticos extremos, como inundações, alagamentos e secas, impactos estes que aprofundam desigualdades sociais, raciais e territoriais já existentes.
Ao articular dados, tecnologia e engajamento social, o Observatório das Baixadas contribui diretamente para o avanço da justiça climática, reconhecendo que os efeitos da crise climática não são distribuídos de forma igualitária e que as respostas precisam ser construídas de baixo para cima, a partir das experiências e prioridades das próprias comunidades.
Como signatário do Compromisso Brasileiro da Filantropia sobre Mudanças Climáticas, o Instituto Neoenergia reafirma, por meio do OBx, seu compromisso com a conservação da biodiversidade e o enfrentamento às mudanças.
Tecnologia com propósito para justiça climática
O Observatório das Baixadas tem como objetivo democratizar o acesso a dados climáticos, fortalecer a cidadania digital e impulsionar soluções tecnológicas orientadas à redução das desigualdades. A iniciativa promove a inclusão digital de populações periféricas e tradicionais, integrando inovação comunitária, equidade racial e territorial e saberes ancestrais.
A tecnologia é compreendida como ferramenta de autonomia, incidência política e resiliência climática, e não como um fim em si mesma. Nesse sentido, o OBx desenvolve e articula quatro tecnologias centrais:
Atlas das Baixadas: mapeamento interativo de territórios de baixada, riscos climáticos hidrológicos e vulnerabilidades socioambientais;
Essas soluções digitais se articulam a uma biblioteca de conhecimento robusta sobre mudanças climáticas e a um espaço aberto para que moradores e organizações das baixadas publiquem projetos, demandas e propostas alinhadas à justiça climática.
Painel Climático: visualização de dados e indicadores para apoiar a tomada de decisão, a incidência pública e o planejamento territorial.
OBx de Olho no Clima: monitoramento e compartilhamento de informações climáticas e eventos extremos em tempo quase real;
Tecendo Baixadas: espaço de articulação de saberes, narrativas e projetos comunitários;
Produção de conhecimento e incidência pública
O Observatório das Baixadas já publicou 16 pesquisas, alcançando mais de 62 mil leitores, e consolidou-se como uma plataforma de referência na produção e difusão de conhecimento sobre clima, território e desigualdade. O site registrou, em 2025, 1.565 visitantes únicos, enquanto as redes sociais apresentaram crescimento de 831% no Instagram, com acessos oriundos de 29 países.
Destaca-se ainda que 1,4% do tráfego do site tem origem em plataformas de inteligência artificial, como ChatGPT e Perplexity, indicando que o OBx já vem sendo reconhecido e referenciado como fonte primária por modelos de linguagem e sistemas de busca baseados em IA.
O projeto mantém diálogo técnico com o IBGE, contribuindo com reflexões e subsídios para o Censo 2030, além de participar de espaços nacionais e globais de governança climática. A iniciativa realizou de mais de 20 ações na COP30, ampliando a visibilidade internacional das agendas construídas a partir das baixadas.
Cocriação, juventude e engajamento territorial
A atuação do Observatório das Baixadas é baseada em processos de cocriação e escuta ativa, com forte protagonismo da juventude periférica. Até dezembro de 2025, foram realizadas:
10 oficinas de mapeamento participativo, com 180 participantes;
100 contribuições comunitárias validadas para o Atlas das Baixadas;
667 pessoas diretamente impactadas pelas ações do projeto;
Imersões e diálogos em seis territórios, nos estados do Pará, Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.
Ao articular ciência, tecnologia social e saberes tradicionais, o Observatório das Baixadas contribui para a construção de um novo pacto entre comunidades, conhecimento e políticas públicas, no qual as soluções emergem dos territórios e se projetam para o mundo. Das baixadas para o planeta, o OBx reafirma que não há enfrentamento efetivo da crise climática sem equidade, participação social e justiça.