O projeto Kindezi é uma iniciativa do Instituto Cultural Bantu (ICB) realizada com o apoio do Instituto Neoenergia, no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, na Bahia, em território de comunidade quilombola. Mais do que uma ação educacional, o Kindezi se constitui como um movimento coletivo de cuidado, pertencimento e emancipação, comprometido com a transformação das vidas das crianças, adolescentes e da comunidade onde se insere. 

Kindezi é uma prática ancestral de origem Kongo que compreende a educação das crianças como uma responsabilidade coletiva da comunidade. Nesse modo de vida, educar não é uma tarefa isolada da família ou da escola, mas um processo compartilhado, no qual todos os adultos são corresponsáveis pelo cuidado, pela formação ética, cultural e espiritual das crianças. O Kindezi reconhece a criança como sujeito de saber e entende o aprendizado como um caminho construído na relação, no afeto e na vivência cotidiana do território. 

Inspirado no livro Kindezi: A Arte Kongo de Cuidar de Criança, do escritor Dr. Bunseki Fu-Kiau, o projeto se ancora nessa filosofia ancestral africana para afirmar uma concepção de educação profundamente humana, comunitária e enraizada. Nessa cosmovisão, ou seja, nesse conjunto de crenças, valores e modos de perceber e interpretar o mundo, o conhecimento é transmitido de forma intergeracional, por meio da oralidade, da observação, da prática e do cuidado, reafirmando valores como solidariedade, pertencimento e responsabilidade coletiva.  É a partir desse fundamento que o projeto se estrutura, compreendendo a educação como um processo vivo, relacional e profundamente enraizado no território. 

Créditos: Pedro Paquino — Escola de Notícias (EDN)

O Instituto Cultural Bantu desenvolve o Kindezi a partir de uma metodologia afropedagógica, que reconhece e valoriza os saberes históricos, culturais, políticos e simbólicos do território. A proposta pedagógica parte da construção identitária como eixo central do processo de ensino-aprendizagem, fortalecendo uma abordagem afrocentrada junto às crianças, adolescentes e suas famílias, e promovendo o reconhecimento de si, do outro e da coletividade como sujeitos de saber, memória e resistência.  

Ao integrar práticas culturais como a capoeira angola, a percussão e a literatura afro-brasileira, o projeto cria espaços de escuta, expressão e reconexão com as ancestralidades negras. Nesse percurso, crianças e adolescentes fortalecem vínculos comunitários, ampliam suas referências culturais e constroem sentidos de pertencimento que ressignificam suas trajetórias individuais e coletivas, reafirmando a potência educativa do território. 

Ao articular educação, cultura, identidade e desenvolvimento humano, a iniciativa contribui para a ampliação das perspectivas de futuro das crianças e adolescentes, impactando positivamente as condições de vida das famílias e colaborando para a superação das situações de vulnerabilidade social, com respeito a história e a cultura no território. 

Entre saberes e afetos, o Kindezi promove transformação social com educação, cultura e ancestralidade africana. 

Quando raízes ensinam, caminhos se multiplicam:  

  • 810 pessoas impactadas em 2025, com consolidação de práticas pedagógicas afrocentradas e valorização da cultura e da ancestralidade como vetores de equidade educacional. 

  • Oficinas de Capoeira Angola, Afroletramento, Percussão Recicla e Capoeira Artesão. 

 

Objetivos Específicos

  • Desenvolver habilidades de aprendizado com foco na valorização das culturas de matriz africana;
  • Estimular o interesse pela cultura afro-brasileira através do aprendizado da percussão e do conhecimento histórico, social e cultural dos povos africanos e afro-diaspóricos;
  • Promover o desenvolvimento da autoestima, identidade cultural e senso de pertencimento das crianças por meio da literatura afro-brasileira;
  • Oferecer vivências educativas e culturais que contribuam para o desenvolvimento integral das crianças, com destaque para o ecossistema da Capoeira Angola;
  • Fomentar a consciência cidadã, o respeito à diversidade e a solidariedade entre os participantes;
  • Proporcionar um ambiente seguro, acolhedor e estimulante para o aprendizado e a socialização das crianças.